Guia Residencial da Energia Solar Fotovoltaica

Por Lucas Mendes em 1 de julho 2020
Guias e Informativos

Geração distribuída e  energia Solar Fotovoltaica

O modelo tradicional de geração de energia elétrica é  denominado geração centralizada, e é baseado em em-  preendimentos de grande porte, como hidrelétricas, ter-  melétricas e usinas nucleares. Nesse modelo, a energia  elétrica produzida deve ser transportada por grandes  distâncias, empregando linhas de transmissão, subesta-  ções e redes de distribuição para chegar ao consumidor  final.

Estes grandes empreendimentos possuem alto impacto  ambiental, seja por utilizarem combustíveis que emitem  gases de efeito estufa, seja em função da necessidade  de inundar grandes áreas, no caso das hidrelétricas, ou  ainda por conta dos enormes riscos associados às usinas nucleares.

A geração distribuída é uma alternativa complementar à  geração centralizada de energia elétrica. A modalidade  se caracteriza pela implantação de sistemas de geração  de energia elétrica através de geradores de pequeno  porte, que utilizem fontes renováveis e estejam localiza-  dos próximos aos pontos de consumo. É o caso de uma  casa que gera a própria energia! Assim, as perdas com  grandes linhas de transmissão são minimizadas, assim como é reduzida a necessidade de grandes investimentos em hidrelétricas e termelétricas.

Mais poder para o consumidor

No Brasil, o modelo de Geração Distribuída que vigora  desde 2012 é o de medição líquida (Net Metering). Nes-  te sistema não é possível vender a energia produzida na  residência para a concessionária, mas sim abatê-la do  total consumido da distribuidora.

Com a Geração Distribuída o consumidor residencial  deixa de ser passivo e sujeito a todas as políticas gover-  namentais que impactam o preço da tarifa de energia.  O consumidor passa a pagar à concessionária apenas o  saldo entre a energia produzida e a energia consumida.  Se a geração for maior do que o consumo, são gerados  créditos energéticos que podem ser utilizados nos pró-  ximos 60 meses a partir da geração.

Além disso, alterações sazonais no valor da tarifa, como  a política de bandeiras tarifárias, influenciada pelo regi-  me de chuvas, não afetam o consumidor que tem um  sistema fotovoltaico. O sistema de compensação registra os créditos energéticos de forma que cada kWh pro-  duzido pelo sistema de energia solar fotovoltaico com-  pensa o mesmo montante consumido da distribuidora, independente do valor da tarifa. Assim, a residência que  tem um sistema fotovoltaico torna-se imune às flutuações da tarifa!

O papel da concessionária

As concessionárias têm papel central na geração dis-  tribuída. Como são os “donos” da rede elétrica, são  responsáveis por verificar a homologação de todos os  equipamentos utilizados além de analisar e aprovar os  novos projetos de implementação de sistemas. E já que  o sistema injeta energia na rede, é necessário fazer a  troca no ponto de consumo do medidor tradicional por  um medidor bidirecional mais moderno, capaz de medir  o fluxo de energia nos dois sentidos. Essa troca também  é de inteira responsabilidade da concessionária e não  tem custos para o consumidor.

Essas responsabilidades foram descritas pela Agência  Nacional de Energia Elétrica – Aneel, que determinou os  prazos específicos para cada etapa de implantação do  sistema, como a verificação do projeto, realização de vi-  sitas técnicas dos fiscais da concessionária e a troca do  medidor de energia. Cabe à empresa responsável por  fazer o projeto e a instalação do sistema de geração distribuída controlar os prazos e manter o contato com a  concessionária em nome do consumidor.

Modalidades de Geração

Autoconsumo

O modelo mais comum de geração distribuída é aquele  em que o sistema é instalado no próprio local de consumo, normalmente sobre o telhado do consumidor. No  entanto, existem outras modalidades de geração que  fazem da energia solar fotovoltaica ainda mais interessante, como o Autoconsumo Remoto e a Geração Compartilhada.

O Autoconsumo Remoto

O Autoconsumo Remoto permite ao consumidor gerar  energia em uma unidade e utilizar o excedente para   compensar as contas de outras unidades, desde que  de mesma titularidade e dentro da área de concessão  de uma mesma distribuidora. Desta maneira, pode-se  gerar energia em uma casa de campo e compensar na  conta no apartamento. O ideal para que essa modali-  dade de consumo seja implementada é que todas as  unidades consumidoras estejam sob um mesmo CPF ou  CNPJ, o que facilita a transferência de créditos.

A Geração Compartilhada

A Geração Compartilhada é caracterizada pela união de  múltiplos consumidores que desejam se associar para  se beneficiar da energia gerada por uma usina fotovol-  taica de propriedade comum. Todos as unidades envol-  vidas, consumidoras e geradoras, devem ser atendidas  pela mesma concessionária. As unidades devem ainda  se reunir por meio de consórcio ou cooperativa, forma-  lizando assim o compromisso de solidariedade entre os  associados. Desta forma, o consumidor pode se associar  a amigos e familiares para criar um sistema e beneficiar  a si próprio e aos demais consumidores componentes  do grupo.

Tanto no Autoconsumo Remoto quanto na  Geração  Compartilhada, é importante lembrar que a compensação de energia nas unidades consumidoras só pode  ocorrer após ser suprido totalmente o consumo da unidade onde o sistema de geração está instalado.

Projeto e instalação do sistema

Os sistemas de energia solar fotovoltaica têm instalação  simples e rápida, implicando em poucas intervenções  no local escolhido. Cada local tem características específicas que precisam ser analisadas e consideradas no  projeto do sistema.

Antes da instalação é necessário fazer um projeto virtual  que irá simular o posicionamento dos módulos no local  de instalação e calcular a geração de energia, possibilitando uma análise de viabilidade técnica e financeira. A  Astra Solar utiliza um software de simulação que considera as condições climáticas locais, o tipo de superfície (telhado/laje/solo) e sua inclinação, além de levar em  conta possíveis estruturas e árvores ao redor do local  selecionado que poderiam causar sombreamento. Essa  é uma análise preliminar essencial para o qualquer projeto fotovoltaico.

Veja a imagem de satélite abaixo, já com as marcações identificadas: os quadrados azuis representam a simulação de posicionamento dos módulos fotovoltaicos, já as figuras alaranjadas representam os possíveis causadores de sombras.

Com a proposta comercial já enviada e analisada pelo  cliente, o próximo passo é realizar uma visita técnica ao  local da instalação. A visita é necessária para que se con-  firme as premissas e condições locais adotadas na fase  de dimensionamento do sistema, tais como as medidas  da superfície de instalação, necessidade de aterramento  e levantamento das estruturas que possam causar som-  breamento. Nessa visita também é definido a passagem  dos cabos e o posicionamento do inversor e quadros de  proteção elétrica (corrente contínua e corrente  alternada).

Após aceita a proposta definitiva já podemos dar início  à instalação do sistema. Abaixo listamos três tipos comuns de instalação residencial: em telha de cerâmica,  em laje de concreto e em solo.