Investimentos em geração própria de energia é alternativa para produtores rurais se protegerem

dos aumentos nas tarifas de energia

Instalação da Astra Solar em fazenda de Minas Gerais.

 

Um dos últimos atos do ex-presidente Michel Temer, realizado no final de dezembro de 2018, foi aprovar o Decreto 9.642, que reduz os subsídios da Conta de Desenvolvimento Energético. O decreto está em vigor desde a sua publicação, em dezembro, e prevê que, no prazo de cinco anos, os descontos bancados pela CDE relativos ao setor energético serão reduzidos anualmente até que a alíquota chegue a zero.

A medida prevê, também, a supressão de reduções tarifárias acumuladas concedidas à irrigação e aquicultura. Antes, um mesmo consumidor poderia ter acesso aos dois descontos, o que não será mais permitido. Na prática, a atividade de irrigação que ocorre entre 21:30h e 06h passa a ter desconto sobre a tarifa B1, mesma tarifa usada para calcular o desconto dado aos consumidores rurais. Dessa forma, dos impactados pelo decreto, a classe rural é a que mais sofrerá com os impactos. Isso porque os subsídios para essa classe giravam em torno de 10% e 30%.

O decreto é válido em todo o País. Milhares de produtores rurais – pequenos, médios ou grandes – terão de pagar mais caro pela energia elétrica consumida. Como a energia é um insumo indispensável e caro para a classe rural, é cada dia maior o número de produtores rurais que investem na geração própria de energia em suas fazendas. Dentre as fontes alternativas de energia elétrica, está a fotovoltaica.

De acordo com a coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente da FAEMG, Ana Paula Mello, em depoimento à revista da FAEMG de agosto/setembro 2018, a geração distribuída de energia solar em propriedades rurais tem inúmeras vantagens. “Por ser modular, a tecnologia permite ao produtor um investimento que seja viável no momento e, ao longo do tempo, pode ampliar dentro de sua capacidade e necessidade.” Para ela, “a pressão sobre o meio ambiente é reduzida, bem como a dependência da energia hidrelétrica, que tem causado preocupações devido ao regime de chuvas e de armazenamento de água nos reservatórios”. Os painéis fotovoltaicos têm longa vida útil e são praticamente 100% recicláveis.

Elisa Meira Bastos