“Energia solar custa caro!”. É o que mais ouvimos quando temos as primeiras conversas com pessoas interessadas no tema. Nossa resposta é bem direta: “Cara é a energia da sua concessionária”. Mas na verdade, como determinar o custo da energia gerada por um sistema fotovoltaico, onde não há custo de combustível e a geração varia a todo momento conforme a incidência da luz solar?

Para explicar de maneira básica como é determinado o custo da energia solar, e também orientar o leitor quanto ao custo e tempo de payback dos sistemas fotovoltaicos, preparamos este post com algumas informações bem interessantes.

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Preço da energia solar

Normalmente, quando uma pessoa diz que energia solar custa caro, o que ela realmente quer dizer é que os projetos são intensivos em capital. Isto de fato ocorre, pois é necessário realizar um grande desembolso inicial para gerar economias por um prazo bem longo, de 25 anos (extremamente longo, para padrões brasileiros). Ou seja… todo o investimento é feito no início do projeto, enquanto as economias estão distribuídas ao longo do tempo. Por isso os projetos são muito capital-intensivos, o que não significa que sejam caros.

No caso de um gerador a diesel, por exemplo, é bem simples calcular o custo da energia produzida. Basta determinar quantos kWh podem ser gerados com 1 litro de combustível. Sabendo o valor do diesel tem-se o valor da energia gerada. No caso da energia solar, o custo do combustível não existe. Mas então, como determinar o custo da energia produzida?

A metodologia apropriada, e adotada mundialmente, é o cálculo do Custo Nivelado da Energia, ou Levelized Cost of Electricity (LCOE). O LCOE analisa, em valor presente, os custos globais de um sistema (investimento, operação e manutenção) e o montante de energia (medido em quilowatts hora – kWh) que ele gera ao longo de sua vida útil. Este indicador permite a comparação do custo energético de diferentes fontes, e pode servir inclusive para determinar a partir de qual valor de tarifa é interessante o consumidor passar a gerar a sua própria energia (também conhecido como paridade tarifária).

A fórmula do LCOE é dada por:

LCOE=soma dos custos ao longo da vida útil dos sistemasoma da energia elétrica produzida ao longo da vida útil do sistema =t=1nIt+Mt+Ft(1+r)t , onde:


It   : despesas de investimento no ano t
Mt : despesas de manutenção e operação no ano t
Ft  : despesas com combustível no ano t
Et  : energia elétrica gerada no ano t
r    : taxa de desconto
n    : expectativa de vida útil do sistema de geração

No caso dos sistemas fotovoltaicos, as despesas de investimento remetem-se à aquisição dos equipamentos e à contratação do serviço de instalação. Já as despesas de manutenção e operação são extremamente reduzidas, restringindo-se à limpeza periódica da superfície dos painéis (que pode ser feita uma vez ao ano) e à possível substituição do inversor após cerca de 15 anos de operação. Considera-se o período da garantia de performance dos painéis, 25 anos, para determinar a vida útil do sistema. Por fim, como taxa de desconto, deve-se considerar o custo de capital do investidor.

Nos patamares atuais, o LCOE da energia solar para sistemas residenciais chega a alcançar valores em torno de R$ 0,48/kWh, enquanto a tarifa residencial da CEMIG, por exemplo, está próxima a R$ 0,84/kWh. Portanto, a energia solar é cara? Não! Na verdade ela é bem mais barata do que a energia que você compra da rede. Cara então é a energia fornecida pelas distribuidoras!

Custo dos sistemas

O custo dos sistemas fotovoltaicos varia conforme a potência, medida em quilowatts pico (kWp). Sistemas menores custam cerca de R$ 8.000/kWp. Normalmente um sistema capaz de atender a uma casa pequena terá cerca de 1,60 kWp, o que significa que irá custar aproximadamente R$ 12.800. Já sistemas grandes chegam a custar cerca de  R$ 5.000/kWp. Desta forma, um sistema para uma casa grande, com 15 kWp, vai custar aproximadamente R$ 90.000. Essa diferença (em R$/kWp) se dá em função de ganhos de escala na compra dos equipamentos e na instalação.

Custo da energia e tempo de payback

Diante da forte queda nos custos das placas fotovoltaicas e do aumento no valor das tarifas de energia, hoje um projeto de energia solar se paga em cerca de 5 anos. Esse é o chamado tempo de payback. Além dos ganhos de escala e do preço da energia a ser compensada, outro fator que influencia no tempo de payback é a eficiência do sistema. Um sistema bem dimensionado e instalado em um local com boas condições gera mais energia do que outro sistema do mesmo porte, porém mal dimensionado e instalado em condições piores. São vários os fatores que influenciam na eficiência de um sistema fotovoltaico, e nós preparamos um post exclusivo sobre este assunto (clique aqui para acessar).

Como podem ver, a energia fotovoltaica é cara? De fato, não… Ela custa bem menos do que a energia da sua concessionária e o investimento se paga rapidamente!

Ficou alguma dúvida? Gostaria de solicitar um orçamento? Deixe um comentário e lhe responderemos o mais breve possível!

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Lucas Mendes

Formado em administração de empresas, por dois anos se dedicou a um MBA pela IESE Business School da universidade de Navara (Espanha). Atuou na Schneider Electric, empresa global especialista em gestão de energia e em bancos de investimento e fundos de capital de risco com foco nos setores de energia e infra-estrutura.