No mesmo passo em que o uso da energia solar cresce e se difunde, aparecem também os mitos sobre seu funcionamento e eficácia. Mundialmente a tecnologia fotovoltaica já é bem madura e o investimento em projetos de geração são considerados bem previsíveis.  Já existe muito conhecimento na internet que pode ser facilmente acessado explicando de maneira clara e técnica o funcionamento dos sistemas fotovoltaicos, mas alguns mitos ainda persistem, principalmente em mercados em crescimento como o brasileiro. Assim, para contribuir com a desmistificação dos sistemas fotovoltaicos, elaborarmos esse post, elencando os principais pontos que normalmente geram controvérsia pra quem pretende implantar um sistema de geração de energia solar.

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1. O sistema fotovoltaico não gera energia em dias nublados

De fato, nuvens diminuem a capacidade dos painéis solares, já que eles funcionam com base na irradiação do sol. Mas os painéis atuais conseguem gerar energia mesmo com a luz difusa de um dia nublado. Várias instalações possuem softwares de acompanhamento em tempo real do sistema, que permitem ao usuário acompanhar a geração em todos os dias do ano. Cabe à empresa que realizar o projeto, instalar o sistema de maneira tal que ele gere a maior quantidade de energia possível dadas as condições do clima, dia após dia.

2. A manutenção é cara

Os sistemas fotovoltaicos são extremamente simples, compostos por poucos elementos. Além disso, não existem partes móveis ou motores, como em geradores a diesel ou turbinas eólicas. A manutenção necessária é a limpeza periódica dos painéis solares nas épocas mais secas. Em períodos chuvosos, a própria natureza se encarrega desse trabalho. Além disso, os painéis solares são extremamente duráveis, resistindo a fortes ventos e chuvas de granizo. Para serem aprovados eles devem passar por vários testes destrutivos, que comprovem sua resistência. Se ainda tiver dúvidas veja esse vídeo com os testes de um dos maiores fabricantes de painéis dos EUA.

3. Se ocorrer um apagão o sistema continua fornecendo energia

Grande parte dos sistemas instalados hoje em dia é do tipo conectado à rede, ou on-grid. Esse modelo implica que o sistema fotovoltaico não seja autônomo, por não utilizar baterias. Estes sistemas operam constantemente conectados à rede de sua concessionária. Assim, em caso de queda da rede elétrica, o sistema solar também para de fornecer energia. Essa norma existe para prevenir acidentes com os funcionários da concessionária que vão fazer o reparo na rede elétrica, que precisam ter certeza sobre o funcionamento de todos os elementos conectados à rede no momento da manutenção.

4. É necessário utilizar baterias para que o sistema funcione

Os sistemas com baterias, ou off-grid, existem mas normalmente ficam restritos a locais remotos sem acesso à rede elétrica. Apesar dos avanços recentes, a tecnologia de armazenagem de energia ainda não é viável economicamente para a grande maioria dos consumidores, além de requerer a troca periódica das baterias e depender de manutenção contínua. A melhor alternativa do ponto de vista financeiro são os sistemas  conectados à rede, regulamentados pela Aneel.

5. Locais muito quentes são melhores porque geram mais energia

Esse mito existe porque muitas vezes confunde-se a geração de energia solar com aquecimento solar. As placas solares utilizam a luz do sol para gerar energia e não o calor. Embora exista uma correlação entre irradiação solar e altas temperaturas, nem sempre isso é verdade. Na verdade, em temperaturas mais amenas as placas funcionam ainda melhor. Por isso os projetos de sistemas fotovoltaicos devem sempre considerar a temperatura ao qual o sistema será exposto de modo a calcular corretamente qual sua eficiência real após a instalação.

6. O investimento é muito alto

Esse é, sem dúvida, o mito mais conhecido sobre sistemas de energia solar, e até recentemente era verdade.  Os avanços recentes da tecnologia de painéis fotovoltaicos e os ganhos de escala que a indústria da energia solar ganhou nos últimos anos, fez com que o preço dos equipamentos caísse muito. Paralelamente, a conta de luz subiu muito, e hoje já é mais barato gerar a própria energia do que comprá-la das distribuidoras. Talvez o mito ainda se justifique pela dificuldade em financiar o investimento, mas para pessoas que dispõem de capital para investir na geração própria, trata-se de um ótimo investimento. Empresas sérias devem sempre apresentar os cálculos de retorno para o cliente indicando em quanto tempo o investimento será recuperado.

Agora que você já desvendou alguns mitos sobre a energia solar, que tal aprender como reduzir a sua conta de luz de forma sustentável?

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Lucas Mendes

Formado em administração de empresas, por dois anos se dedicou a um MBA pela IESE Business School da universidade de Navara (Espanha). Atuou na Schneider Electric, empresa global especialista em gestão de energia e em bancos de investimento e fundos de capital de risco com foco nos setores de energia e infra-estrutura.